Lote

O Lote é um contexto de convívio e aproximação desenvolvido por artistas vinculados ao modo de pesquisa e criação do coreógrafo Cristian Duarte – um artista que requer parcerias para que sua obra respire, e caminha com o entendimento de que o contexto Lote, estabelecido e construído por muitas mãos, é, além de um ambiente ocupado por distintas ações poéticas, cosmo fundamental para a continuidade da sua ação coreográfica. Desde 2013, o Lote se organiza como residência artística na Casa do Povo. É formado por artistas residentes e atravessado por outros artistas e interventores convidados através de diferentes ações promovidas pela residência. 

O Lote atua na Casa do Povo através da Lei de Incentivo de Fomento à Dança e eventualmente realiza laboratórios (#LAB) abertos à participação do público e divulgados na agenda da programação.

Ó
Cristian Duarte em companhia

Disparada pelo mito de Orfeu e pela vontade reflexiva de ressignificar o discurso relacional presente na narrativa grega, a peça convida o público a constituir junto dos dançarinos um campo de empatia. Esse sentimento que todos nós podemos ter, e que nos emociona com uma perspectiva estrangeira a nós, é movimento fundamental para a obra estabelecer uma dilatação de detalhes e sutilezas.

Cristian Duarte, seguindo sua investigação pelo minimalismo na dança e pela sensorialidade do movimento, manifesta nesta criação a vontade por estabelecer uma dramaturgia tátil através da modulação incessante da percepção e afeto.

A temporada de Ó aconteceu entre 15 e 26 de março de 2016.

BIOMASHUP
LOTE#3

A peça tem como ponto de partida o interesse em estudar, junto a um grupo de bailarinos-performers, variedades de presença do corpo em movimento. Os performers, algoritmos que organizam informações, realizam uma dança (de)compositiva, gerenciada por repertórios, memórias, coleções individuais, e experiências sintonizadas a processos de seleção, adaptação e contaminação. A obra pode ser apresentada, também, como um concerto. 

Cristian Duarte atesta seu interesse por uma estética que coleciona distintos momentos do tempo histórico. Olhando para os lados, o coreógrafo percebe histórias que navegam por uma teia de acontecimentos, cujo tempo se faz desejante e crasso pelas distintas resoluções de um presente que imagina densidades do vir, que foi e vai ser ação em um mesmo intervalo. “Entendo essa criação enquanto experiência para acionar treinamentos do corpo em dança. Sou fascinado pelo movimento e intensifico meus trabalhos atualmente nessa direção. Não me interesso por criar algo novo, original, não acredito em original. Tenho apostado em estudar estratégias para tornar possível a ressignificação de padrões, estéticas e contextos, trazendo para as vistas uma ética que estabelece a criação enquanto a arte de atravessar o grande murmúrio de encontros poéticos, que permanecem vivos para além do prestígio autoral.”

BIOMASHUP esteve em cartaz em 2015.